SaudeAqui.com: O que é a disfagia? Ela é considerada uma doença ou apenas
um sintoma?
José Ribamar Júnior: A disfagia é um sintoma que está relacionado a qualquer
alteração na deglutição, ocasionado assim, algum transtorno no trajeto do
alimento desde a boca até o estômago.
SaudeAqui.com: Quais são as causas desse problema?
José Ribamar Júnior: A disfagia pode ocorrer decorrentes de alterações
neurológicas: Seqüela de AVE - Acidente Vascular Encefálico, doença de
Parkinson, doença de Alzheimer, TCE (traumatismos cranioencefálicos, paralisia
cerebral, entre outros); como também alterações mecânicas (câncer, traumas,
infecções e prótese dentária mal adaptada - dentadura).
SaudeAqui.com: Quais as pessoas mais frequentemente afetadas pela
disfagia?
José Ribamar Júnior: Pode atingir desde recém-nascidos até idosos, não
escolhendo gênero, nem idade, basta apresentar alterações no ato de engolir.
SaudeAqui.com: Esse é um problema comum?
José Ribamar Júnior: Apesar da sociedade ser carente
de informação sobre este problema, cada vez mais vem aparecendo casos de
pacientes que apresentam essa desordem, porém muitos não sabem que a tem. Isso causa
impacto na saúde pública, uma vez que afeta um número significativo de
indivíduos, aumentando a morbidade e a mortalidade de pacientes com qualquer
condição clínica de base. De acordo com editorial publicado na Rev.
CEFAC vol.10 no.2 São Paulo 2008, a disfagia acomete
16% a 22% da população acima de 50 anos, alcançando índices de 70% a 90% de
distúrbios de deglutição nas populações mais idosas.
SaudeAqui.com: Quando o indivíduo deve se preocupar? Sempre significa que
existe um problema mais grave envolvido?
José Ribamar Júnior: Deve se preocupar a partir do
momento que esta alteração começa a interferir na rotina do paciente, no
convívio social com outras pessoas, no desempenhar da função de alimentação,
favorecendo assim uma menor condição de qualidade de vida.
SaudeAqui.com: Como é feito o diagnóstico?
José Ribamar Júnior: O diagnóstico pode ser realizado através de uma avaliação fonoaudiológica
clínica, na qual nos proporciona dados significativos, principalmente com
relação a biodinâmica da deglutição, como também por meio de uma avaliação
instrumental, chamada videodeglutograma ou videofluoroscopia da deglutição,
exame este que evidencia a dinâmica das fases da deglutição através de imagens
radiológicas.
SaudeAqui.com: E o tratamento? Existe alguma diferença de paciente para
paciente?
José Ribamar Júnior: O intervenção fonoaudiológica é um dos tratamentos que
possibilitam uma reabilitação para os pacientes que apresentam disfagia. De início
é realizada uma avaliação cínica bem detalhada da deglutição para que possa
possibilitar um levantamento de dados significantes para nortear o
desenvolvimento de um plano terapêutico específico para cada paciente, pois
pode variar com relação a alteração na fase da deglutição, com relação a
consistência de alimento que o paciente está ingerindo, o utensílio que está
servindo de mecanismo para ingestão do alimento, o volume dessa alimentação, ou
seja, difere de paciente para paciente devido a cada um apresentar, ou seja
variando assim a abordagem de paciente para paciente. .
SaudeAqui.com: É importante que outros profissionais da saúde, como nutricionistas,
neurologistas, etc, também acompanhem o paciente em tratamento?
José Ribamar Júnior: É de grande importância o atendimento do paciente
disfágico por uma equipe multidisciplinar para que se possa reabilitar o
paciente como um todo, selecionando os melhores métodos de intervenção,
priorizando assim uma melhor qualidade de vida para esses pacientes.
SaudeAqui.com: Como se pode prevenir a disfagia?
José Ribamar Júnior: A disfagia não se liga a palavra prevenção, devido a mesma
ser um sintoma de uma doença de base, as quais já foram citadas a cima. O que
se deve atentar é que a partir do
momento em que o ato de engolir (deglutição) interfira na qualidade de vida do
indivíduo, profissionais especializados deverão ser procurados para que se
possa diagnosticar e tratar esta alteração, o mais precocemente possível.