SaudeAqui.com:
O que é a Síndrome do Intestino Irritável?
Simone Furtado: A Síndrome do Intestino Irritável
(SII) é um distúrbio gastrointestinal funcional, de evolução crônica e com
quadro clínico muito variado. Quando falamos de alteração funcional nos referimos
a uma doença em que não haja anormalidade estrutural, anatômica, metabólica ou
bioquímica que a justifique e sim desordens da motilidade e a sensibilidade do órgão afetado.
SaudeAqui.com:
Quais são as causas e os sintomas? Alterações psicológicas também podem
influenciar no aparecimento do problema?
Simone Furtado: É difícil falar em uma causa
específica da síndrome. Há evidência de que 6 a 30% dos casos surgem após processo infeccioso agudo intestinal. Há uma área cerebral com
maior número de conexões, o giro
cingulado anterior, que parece ser o responsável da maior pela maior
percepção e valorização da dor nos portadores de SII. Podemos falar também
quanto aos fatores genéticos onde há
prevalência maior entre familiares de 1º grau e por último, lembrar que os fatores psicossociais influenciam o
desfecho clínico da doença, mas as doenças psiquiátricas não são causas da
síndrome.
SaudeAqui.com:
Como diferenciar as dores causadas pela Síndrome e por problemas comuns, como
cólicas ou dores de barriga?
Simone Furtado: A dor abdominal é apenas um dos
sintomas da SII e pode assemelhar-se às
outras dores. O que vai diferenciá-las é o contexto no qual ela se
apresenta.
SaudeAqui.com:
Qual o grupo de maior incidência desse problema? (Sexo, faixa etária, posição
social)
Simone Furtado: Há casos de SII em todo o mundo,
sendo mais prevalentes em países desenvolvidos (EUA, Japão, Inglaterra) sendo
mais freqüente em mulheres da raça branca, principalmente na faixa etária entre
15 a 44
anos de idade.
SaudeAqui.com:
Não se fala muito nesse problema. Ele é comum?
Simone Furtado: Por muito tempo a SII foi
enquadrada no rol de doenças psicossomáticas e somente em 1967 os estudos da
medicina começaram a se aprofundar. Hoje, com um maior domínio dos sintomas
deste distúrbio, estima-se que cerca de 8 a 19% da população mundial seja acometida.
SaudeAqui.com:
Como é feito o diagnóstico?
Simone Furtado: Na maioria das vezes a SII é
identificada pelos sintomas típicos, exames clínicos e laboratoriais, através
de os Critérios de Roma III. O paciente deve ter dor ou desconforto abdominal
recorrente por pelo menos 3 dias nos últimos 3 meses, associados 2 ou mais dos seguintes critérios: melhora
com evacuação, início associado com mudança da freqüência ou aparência das
fezes. Os exames laboratoriais e de imagem (colonoscopia, ultrassonografia) são
para excluir outras doenças (colite, neoplasias,...), já que a SII não dá
alterações orgânicas. Podemos concluir que a SII é uma patologia de diagnóstico
eminentemente clínico.
SaudeAqui.com:
Como é o tratamento?
Simone Furtado: O impacto da doença varia em cada
pessoa, uns com sintomas mínimos e bem adaptados e outros com queixas intensas.
O primeiro passo é explicar ao paciente que não é uma doença “psicológica”,
pois ela existe e o paciente a sente. O segundo passo é informar que é uma
enfermidade crônica e recorrente, ou seja, poderá ao longo de sua vida ter
outras “crises”. Esta conversa franca inicial fortalece a relação
médico-paciente, ponto chave para o sucesso do tratamento. Passar a ter hábitos
de vida saudáveis e prazerosos é o terceiro passo. O passo seguinte é uma dieta
rica em fibras e pobre em carboidratos, evitando-se gorduras, sorbitol (dos
produtos dietéticos), derivados lácteos, álcool, cafeína, fumo, feijão, repolho,
couve, etc. Nos momentos de piora da doença recorre-se à farmacoterapia.
SaudeAqui.com:
Já que o problema também diz respeito à alimentação e a fatores psicológicos, é
importante que outros profissionais, como nutricionista e psicólogo, também
acompanhem o tratamento desses casos?
Simone Furtado: Em alguns casos o acompanhamento
psicológico é utilizado, principalmente quando o tratamento medicamentoso é
ineficaz, quando não existe boa relação médico-paciente ou quando os problemas
psicossociais permanecem indetectados ou subestimados. A avaliação com
nutricionista é interessante no que se refere a uma dieta direcionada à SII,
onde não faltem nutrientes importantes, pois estes pacientes tendem à privar-se
de grupos alimentares a fim de obter melhora dos sintomas.
SaudeAqui.com:
Mesmo com dúvidas sobre o surgimento do problema, existe uma forma de se
prevenir?
Simone Furtado: Não se consegue prevenir a
síndrome.