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        ENTREVISTA SELECIONADA

SaudeAqui.com: Qual a importância da especialidade em Motricidade Orofacial?

 

Iana Alencar: O trabalho específico com prevenção, avaliação, diagnóstico, desenvolvimento, habilitação, aperfeiçoamento e reabilitação dos aspectos estruturais e funcionais das regiões orofaciais e cervicais.

 

SaudeAqui.com: Quais os problemas mais comuns relacionados à motricidade?

 

Iana Alencar: Os mais comuns são os pacientes que apresentam respiração oral, os que usam aparelho ortodôntico, os que apresentam disfunção da articulação têmporo-mandibular, paralisia facial, disfagia e aqueles que desenvolvem hábitos orais deletérios.

 

SaudeAqui.com: Em que pacientes ocorre a maior incidência?

 

Iana Alencar: Existe um índice significativo de pacientes com distúrbios oromiofuncional, que são alterações das funções de respiração, mastigação, deglutição, sucção e fala, encontrados geralmente em pessoas usuárias de aparelhos ortodônticos.  É importante ressaltar que as alterações podem ocorrer em todo o desenvolvimento do ser humano desde a primeira infância (neonatologia) até a terceira idade (gerontologia).

 

SaudeAqui.com: Como é feito o diagnóstico?

 

Iana Alencar: O diagnostico fonoaudiológico é realizado após uma avaliação envolvendo cada função oral, aspectos estruturais, anatômicos que influenciam o desenvolvimento destas funções e as patologias que podem acometê-las, desde os aspectos funcionais, neurológicos, genéticos, hereditários e estéticos. Porém em alguns casos, é necessário o diagnóstico em conjunto com equipe multidiscipinar.

 

SaudeAqui.com: Quando deve começar o acompanhamento do especialista? Por quê?

 

Iana Alencar: Geralmente, o especialista em motricidade orofacial recebe pessoas oriundas de outros profissionais para avaliação fonoaudiológica. Entretanto, o tratamento só é iniciado após avaliação e diagnóstico realizados, pois quanto mais rápido re/habilitar melhor qualidade de vida.

 

SaudeAqui.com: Que outras áreas da medicina fazem parte desse acompanhamento?

 

Iana Alencar: O Fonoaudiólogo especialista em M.O. relaciona-se com áreas afins como: odontologia, neurologia, pediatria, fisioterapia, psicologia, otorrinolaringologia, dermatologia, cirurgia plástica e bucomaxilo.

 

SaudeAqui.com: Que conseqüências podem haver para a linguagem se o problema não for diagnosticado desde cedo?

Iana Alencar: Dependendo do caso, pode acarretar alterações na produção da fala como: distorções, trocas, omissões e substituições de fonemas, devido a alterações nas estruturas orofaciais.

SaudeAqui.com: Como o ocorre o desenvolvimento normal da fala? Quando os pais devem se preocupar?

Iana Alencar: Os primeiros sons não relacionados ao choro que o bebê faz são sons guturais que surgem com uma produção aumentada de saliva: o gargarejar, cuspir, arrulhar e gritos que começam mais ou menos aos 3 meses de idade. Entre os 6 meses e 1 ano de idade essas produções sonoras vão se intensificando e aumentando chegando a falar muito provavelmente, "mama" e "papa". Entre 1 e 2 anos de idade, ele deve ter um vocabulário com algumas palavras. A partir dos 3 anos aumenta extraordinariamente o número de vocábulos da criança e espera-se que até os 5 anos ela tenha domínio de todos os fonemas da língua. Os pais devem ser preocupar quando existe ausência de fala, dificuldade de expressão oral ou alguma alteração fonêmica.

 

SaudeAqui.com: Qual o objetivo de um acompanhamento fonoaudiológico em uma criança recém-nascida?

 

Iana Alencar: Facilitar a amamentação do bebê que possa vir a ter dificuldades nas funções de sucção e deglutição.  

 

SaudeAqui.com: No caso de adultos, quais problemas podem estar relacionados à motricidade?

 

Iana Alencar: As alterações das funções como a respiração, mastigação, deglutição, sucção e fala; respiração oral; disfunção na articulação têmporo-mandibular; estética facial; paralisia facial, disfagia.

 

SaudeAqui.com: Como é feito o tratamento em casos como esses?

 

Iana Alencar: O tratamento fonoaudiológico é individualizado, então cada caso tem a sua terapêutica específica.

 

SaudeAqui.com: Caso o paciente não seja tratado, haverá algum risco mais grave para ele?

Iana Alencar: Dependendo do caso, poderá sim ter maiores prejuízos para a saúde, como recidiva no uso de aparelho ortodôntico, déficit de atenção e concentração nos respiradores orais, atrofia muscular nas paralisias faciais, dores na articulação têmporo-mandibular, engasgos nas disfagias, entre outros sintomas.

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