SaudeAqui.com: Crianças gostam muito de alimentos calóricos, doces, etc. Como adequar a alimentação dela, quando já está acostumada assim?
Karinna Valeska: É preciso deixar de comer o que gosta. O que precisa é conscientizar a família e a criança de que precisa ter disciplina em termos de horário de refeição, de quantidade e de tipos de alimentos que se vai consumir. A gente não pode incentivar a criança a consumir mais alimentos calóricos do que saudáveis. É muito fácil encontrar crianças que não consomem nenhum tipo de fruta, nem tomar um copo de suco ou leite, e ter no seu cardápio diário coxinha, pastel, hambúrguer, refrigerante.
Mas o que vai ajudar para que ela não consuma esses alimentos todos os dias é o incentivo a uma alimentação mais saudável. Fruta, verdura, consumir carboidratos a base de arroz, macarrão, batata, mas também introduzindo os integrais, pão, aveia, granola, mostrando que se ela consumir isso com mais frequencia, quando passar para alimentos mais calóricos, não vai ter uma chance maior de fazer mal, como quando ela está consumindo apenas os alimentos calóricos. Então não é preciso excluir, mas mostrar e ensinar que é preciso ter um equilíbrio do alimento calórico com o saudável.
SaudeAqui.com: Os nutricionistas dão dicas aos pais sobre como começar a introduzir verduras na alimentação das crianças. Quais são essas dicas?
Karinna Valeska: Eu costumo trabalhar com a pirâmide alimentar. Ela retrata todos os grupos de alimentos que precisamos consumir para ter uma alimentação saudável e equilibrada e manter a saúde. Ela mostra o grupo dos carboidratos, que são as massas os integrais, como os amidos, batata, pão, bolacha, farinha; o grupo da proteína, que tem a vegetal, que são as leguminosas (feijão, ervilha, grão de bico), a proteína animal, que tem nas carnes, leite e derivados, ovo; tem os grupos reguladores, que são as vitaminas e os minerais, onde encontramos as frutas e as verduras. Além das vitaminas e minerais, tem as fibras, que são alimentos importantíssimos na nossa alimentação, para prevenir diabetes, hipercolesterolemia, manter o trânsito intestinal funcionando bem, que é um problema muito comum na infância. As crianças tendem a ter muita constipação pela falta desses alimentos, e consumirem muitos carboidratos simples. Por último, na pirâmide, existe outro grupo energético, que não os carboidratos: são os açúcares e as gorduras.

Na base da pirâmide ficam os carboidratos, que são fonte de energia principal para adquirirmos ao longo do dia, e no ápice temos os açúcares e gorduras, o que quer dizer que a gente deve consumir com menos freqüência e em menor quantidade. Então, a criança deve começar pelos alimentos que ela já conhece e a parti daí, os pais devem introduzir os que ela não conhece, mostrando que no primeiro momento pode ser um sabor esquisito. Elas devem entender que o esquisito é apenas porque é novo, então é preciso repetir mais uma vez o consumo para ele ser mais conhecido pelo organismo.
Então, se a mãe tiver uma certa afinidade com a criança na parte de alimentação, for paciente e tenha facilidade de introduzir alimentos novos, a criança vai chegar logo à terceira prova, que é quando o organismo já conhece bem o alimento. Se for uma mãe impaciente ou com menos dedicação para incentivar o consumo dos alimentos, a criança não vai querer comer uma segunda vez, pára na primeira. Muitas delas que conseguiram, misturaram com o feijão, porque a é forma que eu ensino. Se ela não conhece o alimento, começa a comer misturando com alimentos que ela já conhece, para não perceber tanto o sabor, e ir sentindo de uma forma mais discreta.
SaudeAqui.com: A reeducação alimentar é considerada uma dieta?
Karinna Valeska: Não. Esse termo "dieta" está caindo em desuso, tanto para crianças, como para adultos. Hoje a gente trabalha com reeducação alimentar. Existem muitos tipos de dietas, mas ao longo dos anos essa denominação foi sendo desmistificada por estudos. Foi mostrado que a dieta é uma alimentação restrita, com tipos de alimentos restritos e que não tem sucesso a longo prazo. O que realmente tem um bom resultado é a reeducação alimentar. Dentro dos seus hábitos alimentares, você tenta fazer essa reeducação com o acompanhamento do profissional para ter aquela refeição balanceada, que você realmente precisa receber.
SaudeAqui.com: O que você sugere para o lanche escolar, que geralmente é a refeição mais calórica da criança?
Karinna Valeska: Hoje em dia já existe uma variedade bem maior de lanche para crianças. Tem iogurtes, sucos, biscoitos integrais com gotinhas de chocolate, biscoitos de leite sem recheio. O biscoito recheado, por ter muita gordura, não é tão saudável quanto aquele que não tem recheio. O lanche é próprio até para incentivar o consumo de frutas. Alguns colégios hoje já têm lanches mais saudáveis, o que incentiva toda a criançada a fazer aquela alimentação.
Tem também barras de cereais, que existem em vários sabores: morango, chocolate, castanha, uma variedade que atrai a criança. Tem salgadinhos de queijo de uma linha mais natural, que é o Snakcs. Ele é de milho e bem mais saudável que os outros salgadinhos que a gente encontra, com menos sódio, que é outra preocupação nos lanches das crianças. Também tem a pipoquinha de soja e o pastel de soja, bolo de ameixa, de cenoura, a base de laranja. Queijos que podem ser levados sem perigo de estragar, como o Polenguinho.
Uma criança com obesidade, que gosta de brincar e quer um lanchinho prático, pode levar biscoito integral com um copo de suco preparado em casa, então fica um lanche saudável, nutritivo e energético para aquele momento, porque ela precisa do carboidrato, mas não de uma alimentação calórica. Outro lanche é um sanduíche de queijo, feito com pão integral e queijo branco; uma barrinha de cereal com um copo de suco; Polenguinho com torrada integral light e um copo de suco, que parece ser mais alimento, mas quando a gente vai ver o valor calórico desse lanche, é bem menor que de uma coxinha com refrigerante.
SaudeAqui.com: O que deve ter na alimentação de uma criança para ela evitar a obesidade?
Karinna Valeska: Ela deve ingerir pelo menos 2 tipos de frutas ao dia. Se não conseguir as duas frutas, pelo menos 1 na forma de fruta e outra como suco, evitando oferecer sucos industrializados. Deve comer pelo menos 1 a 2 tipos de verdura, seja na forma de sopa, legumes cozidos ou verduras cruas; proteína animal, pelo menos 1 vez ao dia, sendo carne, peixe, frango ou ovo; proteína vegetal , pelo menos na hora do almoço (feijão, lentilha ou grã de bico); carboidrato, de preferência os complexos, que são ricos em fibras, como os integrais, e alternar com os simples, que são a batata, o inhame, o bolo, a bolacha, o pão branco, porém com menos freqüência e em menor quantidade. Gordura não deve ser isenta da alimentação da criança. Ela precisa da gordura para absorver vitaminas lipossolúveis (A, B, E e K), e também para a formação de hormônios.
Agora precisa selecionar o tipo de gordura que se deve ingerir: em menor quantidade a gordura saturada, que vem das frituras, biscoitos recheados e também dos produtos a base de creme de leite, maionese, e dar preferência a maior quantidade de gordura mono e poli saturada, que é a gordura do abacate do azeite, do creme vegetal.
O açúcar é outro alimento que não deve ser excluído, porém deve ser consumido com uma quantidade restrita, só pra adoçar suco e leite. O consumo diário de alimentos que usem o açúcar na preparação, como pudim, doces, sorvete, não é saudável. Deve-se restringir a aniversários, festas, saídas de fim de semana, assim vai haver uma diminuição dessa freqüência, que contribui para a saúde em geral da criança.
Outra falha na alimentação da criança é a ingestão de água. Por brincarem muito e não quererem perder tempo, esquecem de consumir água. Então, os pais devem fazer com que ela consuma de 800ml a 1l de água por dia, que seria pelo menos 5 copos de água. E fazer de preferência 5 ou 6 refeições ao dia. Ela vai receber as 3 principais (almoço, café e jantar) e os intervalos, que juntos vão substituir uma refeição grande. Com esses dois pequenos lanches, ela vai estar se alimentando em porções menores, evitando comer uma maior quantidade nas refeições grandes. E ingerindo de forma fracionada, dependendo do q ela esteja consumindo, vai ajuda na diminuição do peso. E não devemos deixar de citar que não só a alimentação saudável, mas é importante também fazer uma atividade física para evitar a obesidade, pelo menos 3 vezes por semana, com no mínimo 30 minutos de duração.