SaudeAqui.com: Quais são as cirurgias mais realizadas em crianças?
Wilberto Trigueiro: Depende da faixa etária. No recém-nascido, as mais comuns são as anomalias incompatíveis com a vida, como a atresia do esôfago, atresia do intestino, hérnia diafragmática, ânus imperfurado; pacientes que nascem com o intestino do lado de fora do abdômen. Nas crianças pré-escolares, as mais freqüentes são as hérnias inguinais, os testículos que não desceram à bolsa escrotal (criptorquias), a hipospádia, que é quando o orifício da uretra fica abaixo do pênis. Também existem os cistos, tumores de forma geral e raramente, os tumores malignos. O trauma também é um fator importante, mas só acontece naquelas crianças que já andam de bicicleta e caminham nas ruas. A apendicite aguda é a causa mais comum de cirurgia em crianças acima de 5 anos de idade.
SaudeAqui.com: É considerada pediátrica a cirurgia feita em crianças a partir de que idade e até que idade?
Wilberto Trigueiro: Desde a hora que nasce até mais ou menos 17 anos. Exceto cirurgias ósseas, cardíacas, no sistema nervoso central e otorrino.
SaudeAqui.com: Como está o cenário para a cirurgia pediátrica na Paraíba?
Wilberto Trigueiro: Eu considero bom. A cirurgia pediátrica tem um status especial aqui na Paraíba, apesar de existirem poucos cirurgiões. O que falta na Paraíba são mais locais de assistência à criança pobre, por falta de UTIs neo-natais.
SaudeAqui.com: Como é feito o diagnóstico de casos pré-natais?
Wilberto Trigueiro: Esses casos são diagnosticados pela ultrasonografia feita durante a gestação. Freqüentemente, eu recebo em meu consultório gestantes portadoras de anomalias, para as quais eu mostro que de uma forma geral não precisa haver antecipação do parto e o bebê deve nascer num local onde haja melhor assistência e rápido atendimento para o bebê. Se a criança vai nascer com o intestino exposto em uma cidade interiorana, é melhor que ela venha fazer o parto em João Pessoa. Geralmente quem faz esse encaminhamento é o obstetra ou o pediatra. Mas é importante que o profissional já conscientize a mãe e os familiares do problema e faça o planejamento do parto, como, quando e onde será.
SaudeAqui.com: E em crianças maiores?
Wilberto Trigueiro: O próprio pediatra encaminha e nós analisamos se o problema é cirúrgico eletivo ou se vai ser preciso fazer uma cirurgia de urgência. Caso a criança tenha nascido com um problema que não precisa de cirurgia imediata, ela necessita realização de exames para se tomar a melhor conduta. Tem casos até que nem precisa de tratamento cirúrgico.
SaudeAqui.com: Quais são os cuidados mais particulares na cirurgia da criança?
Wilberto Trigueiro: A criança não pode ser tratada como um mini-adulto. Os problemas da criança são bem diferentes. Às vezes a criança pode necessitar de consulta pré-anestésica. Se ela estiver gripada ou com alguma virose, não se pode encaminhá-la para uma cirurgia, a menos que seja de emergência.
SaudeAqui.com: Existe o acompanhamento de outros especialistas?
Wilberto Trigueiro: Depende do caso, mas em geral, apenas o cirurgião pediatra acompanha o processo. Às vezes o pediatra também participa junto com outros especialistas, mas não é muito comum. Exceto nos problemas renais, oncológicos e no período neo-natal.
SaudeAqui.com: Existe muito risco nesse tipo de cirurgia, já que a criança é mais frágil?
Wilberto Trigueiro: Existe risco como em qualquer procedimento cirúrgico. Mas se o diagnóstico foi feito com antecedência, a criança já foi encaminhada corretamente, o risco evidentemente diminui. O importante é que o paciente tenha um acompanhamento médico cirúrgico anestésico por profissionais experientes e operados em serviços de referência.
SaudeAqui.com: E as anomalias urinárias?
Wilberto Trigueiro: Têm sido cada vez mais freqüentes o seu diagnóstico através da ultrassonografia na gravidez. Realizamos todos os exames necessários para o diagnóstico correto e o tratamento cirúrgico quando indicado.
SaudeAqui.com: E as anomalias da genitália?
Wilberto Trigueiro: Bem, temos tratado cirurgicamente as anomalias que cursam com a genitália ambígua, ou seja, os pseudohermafroditismos, os quais necessitam correção precoce em torno de 6 meses de idade.
Wilberto Trigueiro tem o título de Doutor e Especialista pela AMB em Cirurgia Pediátrica, é chefe do Setor de Cirurgia Pediátrica do Hospital Universitário, é Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica Regional e atua como cirurgião em vários hospitais e em uma clínica em João Pessoa.