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Conselho de Coração

      Que conselho maior, nos dias atuais, teriam os cardiologistas de bom senso para pacientes vitimados pelo tabagismo? É uma indagação que parece ser fácil, porém caminhos são tortuosos.

      Senão vejamos, eles chegam ao consultório simulando dispinéia (falta de ar), tosse seca, cansados, estressados, com pressão arterial muitas vezes alterada e com grande receio de a qualquer momento possam ser acometidos de um infarto fulminante. Ansiosos, começam a falar sobre os sintomas, interrompendo o discurso para indagar ao médico: “Não posso fumar aqui, não é?”. O fumo vem se revelando como grande vilão para a saúde do coração. Como alento, podemos informar que o Ministério da Saúde conjuntamente com as Secretarias de Estado, respaldado pelo apoio incondicional e irrestrito da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e das suas afiliadas, bem como do Fundo de Pesquisa e Aperfeiçoamento em Cardiologia (FUNCOR), órgão pertencente a SBC, irmanados, estabeleceram um programa anual de combate ao fumo de muita consistência e seriedade, que nos leve a vislumbrar perspectivas alvissareiras. 

      O lema, a bandeira de luta, são os malefícios que o vício provoca, esclarecendo veementemente que o seu abandono evita sobremaneira o dissabor de ouvir do seu médico o diagnóstico das temíveis doença arterial coronária e circulatórias periféricas, como também as angustiantes doenças pulmonares (incluindo o câncer de pulmão), órgãos e territórios mais atingidos por aqueles que insistem em permanecer próximos a esta bomba-relógio, deixando seqüelas irreparáveis e irreversíveis. 

      A classe médica tem um papel fundamental como propagador de informações utilizando-se do seu conhecimento, sua habilidade e experiência para alertar os fumantes dos riscos que estão correndo não apenas quando o problema já existe, mas na primeira consulta, no primeiro contato, quando a informação parece desinteressada e o fumante absorve-a como um conselho direto, e por isso mais eficaz.

      Daqui deste canto de página, conclamamos os colegas, baseado em todos os argumentos que conhecemos para que seja possível, nesta primeira década do terceiro milênio alcançar a meta proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS): uma sociedade sem fumo. 

      Sabemos que estudos afirmam que mais de 30% de todas as mortes por doenças coronárias incluindo evidentemente o infarto agudo do miocárdio (IAM), são atribuídas ao cigarro. O risco de um fumante de ter uma doença coronária fatal (morte súbita) é de 70% superior aos não fumantes.

      Finalizando, fazemos uma reflexão: O médico além de não fumar, acreditar nos efeitos deletérios do fumo e nos benefícios proporcionados pelo abandono do vício, para então, com serenidade de espírito pronunciar, após uma consulta, a sublime e consciente assertiva, “Dei um conselho de coração”.


Dr. Fernando Lianza Dias - Médico - CRM 2547
Especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC);
Médico Preceptor de Cardiologla do HU da UFPB;
Médico colaborador da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da USP;
Ex- Presidente da SBC - Regional/PB /Ex-Presidente da SBC - Região / Norte-Nordeste.

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