Avaliação da Dor Torácica
A escolha desse tema para discorrer algumas linhas neste canto da página, tem uma finalidade muito importante, aliás, toda a mensagem que queremos passar é para conscientizar a população geral de problemas na área da cardiologia, para que todos possam adquirir noções básicas no sentido de saber se conduzir, não só numa emergência, mas também nos quadros que parecem ser de “pequena importância” e muitas vezes requer um atendimento médico imediato.
A dor torácica pode ser provocada por enfermidades, que às vezes exibem uma evolução fatal, daí a minha preocupação de tornar ciente a população leiga, deste acometimento não raro de ocorrer. Destaca-se entre essas perigosas doenças, a temida (e mais freqüente) isquemia do miocárdio, que manifesta-se sobre a forma de angina (dor no peito), ou mesmo do temível infarto agudo do miocárdio. Outra causa é a dissecção aguda da aorta, mais comum nos portadores de uma doença genética chamada Síndrome de Marfam. A embolia pulmonar participa do rol dessas patologias (doenças) ameaçadoras, como também o pneumotórax espontâneo (ar nos pulmões), pneumonia e prolapso da válvula mitral podem manifestar dor torácica, sendo que a embolia pulmonar é mais freqüente em doentes crônicos muito tempo imobilizados no leito, citando como exemplo, pós-operatório de fraturas ósseas e neoplasias (câncer).
Quando o platonista atende a um paciente que procura uma emergência médica com o sintoma de dor torácica, com características de doenças com potencial evolutivo mais grave, a sua principal preocupação deve ser a elaboração do diagnóstico diferencial, como por exemplo, aqueles originados na parede do tórax, muitas vezes rotulados de dores músculo-esqueléticas. As dores pleuro-pulmonares benignas, as ocasionadas no esôfago e outras regiões ligadas ao aparelho digestivo alto. Muitos dos atendimentos na emergência hospitalar são secundários, de causas que não oferecem o maior rico, porém não isenta a preocupação de procurar um atendimento médico imediato.
Como se trata de uma síndrome dolorosa, o procedimento mais importante para o seu diagnóstico é a análise detalhada do sintoma: local e irradiação, intensidade, duração da crise e duração da dor, se tem sensação de “peso”, “aperto” ou “queimor”, situações que a desencadeiam e/ou agravam (esforço, emoção, refeição, etc), ou aliviam; sintomas associados (suor frio, vômito, tonturas, falta de ar, etc); modo de início e evolução.
Considerado o perfil aterosclerótico do paciente (representado pela idade, fumo, hipertensão arterial, diabetes e elevação do colesterol), usualmente, ao final da análise da dor, o médico tem sua hipótese diagnóstica formulada, e a fortalece com o exame físico e a investigação complementar, no sentido de comprová-la.
Daí a importância do paciente sempre prestar atenção aos mínimos detalhes dos seus sintomas, para que possa facilitar a adequada interpretação do médico que atende numa unidade de emergência.
Fica aqui uma mensagem, em forma de conselho, o aparecimento de qualquer situação clínica narrada acima, procurar de imediato o seu cardiologista, ou a unidade hospitalar onde ele atue, para que o quadro não tome um caminho tortuoso e até fatal.
Dr. Fernando Lianza Dias - Médico - CRM 2547
Especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC);
Médico Preceptor de Cardiologla do HU da UFPB;
Médico colaborador da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da USP;
Ex- Presidente da SBC - Regional/PB /Ex-Presidente da SBC - Região / Norte-Nordeste.