Atividade Física e o Coração
Na prática clínica diária, procuramos sempre de forma enfática, alertar aos clientes que vão ao nosso consultório, do quanto é importante a prática de exercícios físicos como fator preponderante para evitar as doenças cardiovasculares e na melhora e regressão daqueles que já são portadores de doenças, chegando a afirmar com muita tranqüilidade, experiência e convicção que a atividade física representa os pilares de sustentação para combater e tratar da forma mais positiva as surpresas do coração.
Vários estudos têm demonstrado que o sedentarismo está associado com a maior incidência de doença arterial coronária (DAC) que leva ao temível infarto agudo do miocárdio (IAM), inversamente, a prática regular de exercícios físicos é extremamente útil na prevenção primária e secundária dessa grave e imprevisível doença, assertiva que ratifica o preâmbulo acima descrito. Os mecanismos pelos quais a prática física influi no combate a DAC não estão totalmente elucidados. Sabe-se que a ação benéfica da atividade física pode depender da melhora da capacidade cardiorespiratória e da atuação sobre vários fatores de risco importantes para o desencadeamento da aterosclerose coronária, podendo-se citar o perfil lipídico (aumento do colesterol), a hipertensão arterial, diabetes, obesidade, como também o estresse emocional. Confrontando-se o exposto, estaríamos atuando de forma benéfica e elucidativa no tema mais atual do momento: a síndrome metabólica.
Porém tem sido demonstrado que a intensidade de exercícios capaz de melhorar o perfil metabólico é menor do que a necessária para levar ao incremento importante da capacidade cardiorespiratória. Adicionalmente também existem controvérsias quanto a quantidade de exercício recomendado para melhorar o perfil metabólico e conseqüentemente reduzir o risco de doenças cardíacas, particularmente as provocadas por isquemia do miocárdio. Tomando como base o nosso posicionamento pessoal e tópicos do consenso universal, recomendamos caminhadas diárias de manhã cedo, a tardinha ou a noite compreendendo um período de uma hora, salientando-se que o recomendado são caminhadas com passos apressados e nunca corrida sem critérios e orientação. Essa prática realizada correta e diariamente trazem os mais variados benefícios, como por exemplo uma boa distribuição da gordura corpórea, melhora da resistência arterial periférica, o mesmo acontecendo com a sensibilidade à insulina e ao perfil lipoprotéico, como já citamos no início. Essa forma de exercício é fácil prescrição a médio e longo prazo, pois o tempo vai tornar evidente os benefícios alcançados, plenamente palpável e visível com o bem estar alcançado pelos que aceitarem essa prática redundantemente saudável.
Se os leitores nos indagassem: e as crianças, o que devemos fazer, como aconselhar? Podemos responder respaldado nos últimos estudos e pesquisas na área cardiológica no Brasil e no mundo, dando ênfase as muitas reuniões que trataram desse assunto com importantes órgãos da cardiologia mundial, citando-se: o American Heart Association e o American College of Cardiology quando se discutiram a prevenção como ponto crucial da especialidade cardiológica. Então baseado no que já foi dito, não temos outra resposta senão: a prevenção deve iniciar nos primeiros meses de vida. É um paradigma lógico e verdadeiro para os que exercem a especialidade em sintonia com os novos tempos, o conhecimento desse fato tranqüiliza e esclarece aos pais repletos de dúvidas.
Desde os primeiros anos de vida deve-se iniciar um programa de mudanças no estilo de vida, que compreende iniciar uma dieta balanceada pobre em gordura animal, frituras e no tempo adequado restringir derivados do leite e, claro, iniciar os exercícios físicos em prática de esporte dos mais saudáveis, evidentemente acompanhando a fase de crescimento da criança e gradativamente orientar os esportes recomendados como eficientes, descontraídos e naturalmente salutares, exemplificando: natação futebol, bicicleta, observando uma cronometragem normal, havendo dúvidas, consultar seu cardiologista no sentido de uma orientação mais fundamentada que varia de uma criança para outra. O importante é deixar claro que a primeira idade já foi incluída no contexto da prática física como prevenção precoce dos acidentes cardiovasculares. Finalmente queremos deixar uma mensagem lúcida e consciente, fruto de uma experiência de mais de vinte anos de militância na especialidade cardiológica. A prática de exercícios físicos constitui-se numa arma das mais poderosas para evitar e tratar os imprevisíveis e indesejados ataques do coração, diminuindo conseqüentemente a morbi-mortalidade da população, levando a longevidade com boa qualidade de vida.
Dr. Fernando Lianza Dias - Médico - CRM 2547
Especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC);
Médico Preceptor de Cardiologla do HU da UFPB;
Médico colaborador da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da USP;
Ex- Presidente da SBC - Regional/PB /Ex-Presidente da SBC - Região / Norte-Nordeste.