| Home | Pesquisa avançada | Profissionais | | Hospitais | Laboratórios | Academias | Farmácias | Contato | Assinante |
Digite o nome, sobrenome, convênio ou especialidade, para encontrar o profissional que procura:
        ARTIGO SELECIONADO

                  Aos companheiros de labuta     

     

Certa vez, segundo um conto, um homem caminhava tranquilamente pela praia, quando percebeu logo a sua frente centenas de estrelas do mar, sob um sol escaldante, ao capricho da sorte, destinadas certamente a morrer. A navegar em pensamentos ia o homem devolvendo ao mar algumas estrelas quando, de súbito, surgiu um outro homem que indagou-o: De que adianta você salvar apenas algumas quando, certamente, milhares irão morrer? Ao que o homem respondeu: Gostaria que você perguntasse não a mim, mas a cada uma daquelas que retornei ao mar.

Segundo um outro conto, acontecia um incêndio de grandes proporções em uma floresta. Centenas de animais fugiam, tentando salvar a própria pele. Correndo desesperadamente uma onça deparou-se com um beija-flor, a levar no bico gotas de água retirada de um rio para jogar no fogo. A entender tamanho ato de heroísmo do passarinho a onça perguntou: Como conseguirás deter este incêndio, jogando ínfima quantidade de água nas labaredas? Ao que retrucou o pequeno: Não sei se conseguirei acabar com este incêndio, porém sei que estou fazendo a parte que me cabe para salvar o nosso lar.

Estado de letargia. Ou um longo período de escuridão. Talvez estas sejam as melhores atribuições ao momento pelo qual passam os profissionais da área de saúde, principalmente fisioterapeutas, médicos e cirurgiões-dentistas. Por que temos que ser diferentes de outras profissões de natureza liberal como: contabilistas, advogados, administradores, engenheiros e muitas outras? Por que temos que vender nossos serviços, conhecimentos, habilidades e dedicação aos intermediários do lucro fácil? E o pior, aceitarmos receber valores aviltantes em troca? Por que não lutarmos para o retorno da nossa dignidade?

Há alguns poucos anos um colega Cirurgião Dentista, em um oportuno comentário no jornal APCD-SP, comparou a atual situação de mercado na área de saúde ao não honroso meio de sobrevivência da promiscuidade, em que participam as prostitutas e as cafetinas. Os Médicos ajudaram a criar o Dragão maior (será que todos os dragões são verdes?) e daí pra frente vários filhotes nasceram. Ficamos, por causa do MEDO, sob o jugo da dominação e do controle do mercado de trabalho por parte dos intermediários dos serviços de saúde. E tentam nos convencer que este é um processo irreversível, e que aquele que não “aderir” será engolido. Se realmente a vida imita a arte assistam ao 1º filme da trilogia “Matrix”. Passam-nos a certeza de que conhecimentos de saúde é uma mercadoria que deve ser “vendida”, desde que intermediada por eles, para o doente. E a relação profissional-paciente? E o juramento de Hipócrates? E a ética? Atender um doente em 5 ou 10 minutos é ético? Atender um paciente em 25 ou 40 minutos e receber em troca o equivalente a um “corte de cabelo” (sem querer desmerecer o belo ofício correspondente) é digno para o profissional? Sabem eles quanto custa a nossa dignidade? Não sabemos, nós mesmos, “vender” os nossos conhecimentos diretamente aos nossos clientes? Assinamos a nossa própria incompetência? E para que serve a tabela de honorários de cada categoria?

O caldo de cultura para a situação de penúria pela qual estamos passando: governos omissos, mão-de-obra barata por conta do excessivo contingente de profissionais que são jogados no mercado anualmente e o MEDO.

O que fazer para equilibrar a oferta de profissionais no mercado? Como parar a abertura indiscriminada de faculdades pelo Brasil afora que, como já sabemos, são criadas para atender a interesses políticos e financeiros, em detrimento das reais necessidades da sociedade? Pressionar quem? O governo? O congresso? As entidades de classes? Devemos sair da prisão das quatro paredes de um consultório?

E o MEDO, reação natural e essencial para a nossa sobrevivência, que nos faz AGIR diante de um perigo real ou iminente, por que o permitimos invadir a nossa serenidade com seu viés psicológico e contagioso? Este, ao contrário, imobiliza-nos. Como peças de um dominó, vai derrubando um a um, principalmente os mais incautos, convidando-os à prostituição, ou a se auto-prostituir quando, à desculpa da acirrada concorrência, vendem seus serviços diretamente, mas com honorários irrisórios. Este MEDO desequilibra nossos hormônios neuronais e remete-nos a uma realidade virtual de apreensão, ansiedade e de temor por um futuro tenebroso. Como resposta tendemos a nos agarrar ao que é certo agora, mesmo sendo pouco, ou muito pouco. Agindo assim abdicamos muitas vezes de um porvir mais prazeroso.

Mas muitos colegas argumentam: O povo não tem dinheiro! Não tenho outra opção senão submeter-me ao Dragão e seus filhotes. Será? Vejamos: E de que se alimentam estes, senão do próprio POVO? Ademais, segundo o que se escuta nos noticiários, nunca, no Brasil, se vendeu tantos automóveis 0 km (cada vez mais caros) para o mercado interno; são milhões de usuários de telefone celular; mais de 450 mil famílias deixaram o estado de pobreza absoluta e vários setores da indústria, comércio e serviços anunciam lucros fantásticos. Podemos desmenti-los? Olhemos em nossa volta. O nosso próprio setor (serviços de saúde) vem apresentando, há vários anos, um crescimento fantástico, mas pasmem! Só quem engorda é o Dragão e sua prole. Aqui e ali se noticia um novo rico da área de serviços de saúde. E nós? Como ficamos? Até quando?

Já dizia um sábio que mudanças não acontecem da noite para o dia, e nem de fora para dentro. Às vezes um empurrão, um alerta ou alguns exemplos é bom, mas já vivemos uma realidade bastante penosa para abrirmos os nossos olhos. Não precisamos de mitos ou de líderes para iniciar uma mudança. Nada é para sempre. Lembro Vandré: “Vem vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” e Maquiavel: “Os servos fieis serão sempre servos e os homens bons serão sempre pobres”. Ajamos como o beija-flor. No mais... O Criador complementa.

 

Não somos donos da verdade, pois esta não é absoluta. Respeitamos as opiniões de cada um. Sabemos da fragilidade da alma humana e da tendência do ser humano em agir segundo as circunstâncias do momento. O que queremos é uma reflexão. Que saiamos do marasmo para a ação. Que não fiquemos “sentados no trono de um apartamento, com a boca escancarada e cheia de dentes, esperando a morte chegar”. 

Ioran Rolim - Cirurgião Dentista - CRO - PB 1859

Contato: ioran.rolim@oi.com.br

Saudeaqui.com - Av. Marcionila da Conceição, 1360 - Empresarial Cabo Branco. Sala 208 - Cabo Branco, João Pessoa / PB
C.N.P.J: 04.202.139/0001-79 - Site desenvolvido pela DX3