A PERDA DE AUDIÇÃO NO RECÉM-NASCIDO E A IMPORTÂNCIA DA TRIAGEM NEONATAL
Aproximadamente 1 em cada 1000 bebês nascidos nos Estados Unidos tem perda severa de audição em ambos os ouvidos. Outros 5 em cada 1000 nascem com perda moderada de audição. Na maior parte das vezes, essas crianças não são diagnosticadas como tendo essa perda de audição até que tenham 3 anos de idade em média.
Até mesmo uma perda de audição leve precoce pode afetar a fala, o desenvolvimento da linguagem e também o desenvolvimento social.
Por causa desses fatos, há muitos que acreditam que todas as crianças deveriam passar por uma triagem ao nascimento para afastar uma possível perda de audição.
Essencialmente todos concordam que a triagem universal das crianças é uma boa idéia, porém questiona-se como se deve realizar esse teste?
O teste para essa triagem deve ser preciso, fácil de realizar, barato, não invasivo, e amplamente disponível.
Basicamente existem dois testes que geralmente são utilizados para triagem: as Emissões Oto-Acústicas Evocadas (EOAE) e a Resposta Cerebral Auditiva Automatizada (ABR Automatizado). Porém, esses testes são geralmente utilizados para triagem e não para estabelecer um diagnóstico definitivo.
O diagnóstico definitivo geralmente é feito com outros exames que devem ser discutidos com o seu médico responsável pelo paciente.
O que é recomendado hoje é a identificação de bebês em situação de risco para a perda auditiva e, então, a avaliação delas. São considerados bebês com risco de perda auditiva aqueles:
1. Com uma história familiar de perda de audição na infância por causa hereditária;
2. Os que apresentam malformações da cabeça;
3. Nascidos com certas infecções intra-uterinas;
4. Os que tiveram meningite;
5. Com peso de nascimento abaixo de 1.500 gramas;
6. Aqueles que necessitaram ventilação mecânica ao nascimento por cinco dias ou mais;
7. Aqueles que tenham tido icterícia severa o bastante para requerer transfusão;
8. Os que tenham recebido medicamentos que sabidamente têm a perda de audição como um possível efeito colateral, e;
9. Aqueles cujos pais ou responsáveis tenham preocupações sobre perda de audição, ou qualquer tipo de atraso de desenvolvimento, inclusive de fala ou linguagem.
Geralmente os pais são as primeiras pessoas a identificarem a possibilidade de uma perda auditiva na criança, mesmo com a realização de freqüentes consultas de rotina ao pediatra. Sendo assim, na primeira suspeita de que seu filho não ouve bem procure um profissional para obter informações o mias cedo possível. O diagnóstico realizado precocemente diminui eficazmente o aparecimento de possíveis sequelas decorrentes da ausência de audição e garante uma melhor qualidade de vida na inclusão da criança no universo sonoro.
Dra. Simara Lopes Cruz - CRFa: 8585 Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e Mestra em Saúde Pública pela UFPB. |